Proper grammar is sexy

19/09/2014

São vários os amigos que nos perguntam qual é a melhor gramática de língua portuguesa para ter sempre à mão, fisicamente ou à distância de um clique. Amigos que fazem da língua portuguesa o seu instrumento de trabalho. As respostas podem ser várias, até porque tudo depende das motivações e do conhecimento de quem as procura: é um especialista em língua portuguesa? É um professor e precisa de ensinar os seus alunos? É tradutor? Formador? Escritor? Enfim, as hipóteses são várias. Hoje escrevemo-vos para vos dar a conhecer alguma da bibliografia com que trabalhamos e, assim esperamos, que vos poderá ser útil.

 

A última gramática que adquirimos foi a extraordinária Gramática do Português, editada pela Fundação Calouste Gulbenkian. É essencial para nós, consultoras linguísticas, aprofundarmos o conhecimento que temos sobre a língua e para conseguirmos justificar determinadas posições que tomamos. É a gramática ideal para quem trabalha nesta área, maravilhosamente descritiva e organizada por alguns dos melhores linguistas que temos. Outra que nos acompanha desde sempre (já desde os tempos da Faculdade), também pelo pendor normativo que tem, é a clássica Nova Gramática do Português Contemporâneo (de Celso Cunha e Lindley Cintra). Mas serão estas as gramáticas ideais para se ter à mão quando se está a ensinar o português a, por exemplo, um estrangeiro? Ou quando se é responsável por escrever textos no departamento de comunicação de uma empresa e se quer resolver rapidamente dúvidas sintáticas? Talvez a ideal neste caso seja a Gramática Universal da Língua Portuguesa, de António Borregana. É uma gramática clássica, muito bem organizada, simples de consultar, com exemplos práticos muito bons. Ideal para qualquer pessoa, portanto.

 

Há outro tipo de livros que vos poderá ajudar, que são os manuais que ajudam à resolução de dificuldades específicas da língua. Muito simples de consultar e podem ajudar a resolver dúvidas específicas (por exemplo, em que situações se usa “descriminar” e “discriminar”? É correto escrever “enquanto que”?). No que a este tipo de manuais diz respeito, aconselhamo-vos (para dar alguns exemplos) o Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem, de Rodrigo de Sá Nogueira (Livraria Clássica Editora, Lisboa), o Prontuário Universal de Erros Corrigidos de Português, de D'Silvas Filho (Texto Editora, Lisboa) e o livro S.O.S Língua Portuguesa, de Sandra Duarte Tavares e Sara Leite. Se o vosso melhor amigo é o Google, experimentem procurar o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Ajudar-vos-á muito, de certeza. Se preferirem, descarreguem a aplicação do CLP para o vosso telemóvel. Assim terão ajuda à distância de um dedo.

 

Já que falamos em aplicações para telemóveis, não podemos também deixar de dizer que já podem descarregar o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora e da Priberam. Os dicionários são essencialmente úteis para confirmar grafias e significados (e sobre estes teríamos muito mais a dizer, mas ocasiões não nos faltarão para o fazermos).

 

Um prontuário que não dispensamos é o Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa, do Magnus Bergström e Neves Reis (utilizamos a 51.ª edição, já atualizada). Os prontuários são indispensáveis para confirmarmos, por exemplo, a grafia de abreviaturas ou sabermos qual o gentílico correspondente a determinado topónimo.

 

A lista já vai longa, mas não queremos terminar sem antes vos deixarmos uma sugestão de vocabulário. Temos a certeza de que vos será útil, até porque vos ajudará a confirmar a nova grafia das palavras. Falamos do Vocabulário Ortográfico do Português, também conhecido por VOP. Aqui poderão confirmar se, por exemplo, em português europeu, a palavra “facto” mantém a ortografia ou passa a escrever-se “fato”. É provável que muitos fiquem surpreendidos com a resposta…

 

Bom fim de semana!

 

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