O meu amigo açoriano ou açoreano?


Esperava-se que nos Açores nascessem "açoreanos", não é? Mas não. Nascem "açorianos". E porquê?

Comecemos por chamar as coisas pelos nomes que lhe cabem: às palavras que utilizamos para designar alguém em função do país, da região, da província ou da localidade em que nasceu ou de onde alguém ou alguma coisa procede chamamos gentílicos. Os gentílicos formam-se a partir de uma base à qual se junta um sufixo (o -ano, como no caso em análise, ou o -aco (polaco), o -ão (alemão), -ês (português) -eiro (brasileiro), entre muitos outros). Ora, dita a regra de formação dos gentílicos (que vive sossegada nos nossos cérebros) que quando a base de derivação (esperamos que ainda continue desse lado; não desista que vai valer a pena!) termina em "e" átono (que não tem acento tónico), o sufixo -ano junta-se à mesma por meio de uma vogal de ligação, o "i", e essa tal vogal átona da base também desaparece (tal como o "s" que a segue). À base "Açores" (que termina em "e" átono e "s") junta-se o sufixo "-ano" com ajuda da vogal "i". É assim que nasce o açor(es)iano. Fácil, não é? Mas os Açores são ricos em todos os sentidos (principalmente na beleza!), e o da linguística não é exceção. É por isso que lá não nascem apenas açorianos, mas também açorenhos ou açorenses.

E como sabemos que há um gosto especial por este tema, deixamos um link muito útil: http://www.portaldalinguaportuguesa.org/recursos.html?action=gentilicos&act=list. Já identificou o gentílico que lhe coube em vez?

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